O deputado federal Afonso Florence (PT/BA) criticou duramente a gestão do prefeito Bruno Reis, e o ex-prefeito ACM Neto, após a deflagração da “Operação Sponsor”, do Ministério Público da Bahia, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados a entidades carnavalescas e ações voltadas à comunidade LGBTI+ em Salvador. A operação, realizada nesta terça-feira (26), apura crimes como peculato, fraude em licitações e uso irregular de verbas municipais.
Segundo o MPBA, mais de R$ 1,1 milhão repassados pela Prefeitura de Salvador a uma associação investigada teriam sido desviados. Os recursos deveriam financiar eventos em 57 bairros da capital e apoiar 18 blocos carnavalescos durante o Carnaval de 2025.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em um órgão público municipal, na sede da associação investigada e em endereços ligados a servidores e dirigentes. A Justiça também determinou o afastamento do presidente e do diretor-geral da entidade, além de duas servidoras municipais apontadas nas investigações.
Segundo Florence, o caso expõe mais uma vez as contradições entre o discurso administrativo do grupo de ACM Neto e a realidade revelada pelas investigações. “O que o Ministério Público revela é extremamente grave. Recursos que deveriam fortalecer a cultura popular, apoiar blocos de bairros e ações da comunidade LGBTI+ estão no centro de uma investigação sobre desvio de dinheiro público. Esse é o jeito ACM Neto e Bruno Reis de governar: muito marketing, muita propaganda e suspeitas cada vez mais profundas de maracutaia com recursos da população”, afirmou o parlamentar.
O deputado também criticou o modelo de gestão adotado pelo grupo político que administra Salvador há mais de uma década. “Venderam uma falsa ideia de eficiência administrativa, mas a realidade aparece nas operações policiais, nas denúncias e no abandono da saúde, da educação e do transporte público. Salvador merece transparência, respeito ao dinheiro público e compromisso verdadeiro com quem mais precisa. Gestão exemplar não combina com parceria com Vorcaro, fraude e desvio de verba pública”, completou.
A investigação teve início após o Ministério Público receber denúncias e documentos apresentados por organizadores de eventos e integrantes da comunidade LGBTI+, que relataram possíveis irregularidades na aplicação dos recursos públicos destinados ao projeto “Caminhada da Diversidade LGBTI+”.
![]() |
| Foto: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados* |
