A fala do presidente do SICOMERCIO Alagoinhas foi feita na Câmara Municipal durante audiência pública em que se discutiu os impactos do fim da jornada 6x1
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| Foto: Divulgação |
Durante audiência pública que discutiu os impactos do fim da escala 6x1, realizada na Câmara Municipal de Alagoinhas por iniciativa da vereadora Juci Cardoso, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do município, Benedito Vieira, adotou um tom enfático na defesa dos empresários e da manutenção dos empregos.
Ao debater com representantes de entidades sindicais, Benedito alertou para os riscos que a proposta pode trazer à empregabilidade, caso não haja um diálogo mais amplo e consistente entre todas as partes envolvidas. “Como presidente do sindicato patronal, considero essa discussão fundamental. Parabenizo a vereadora pela iniciativa. No entanto, trata-se de um caminho irreversível que vem sendo contaminado pela politização partidária, o que prejudica um debate tão complexo”, afirmou.
Segundo ele, o setor empresarial enfrenta dificuldades para ter suas demandas representadas no Congresso Nacional, especialmente diante do impacto eleitoral que o tema pode gerar em 2026. Benedito avalia que a redução da jornada pode comprometer a manutenção de postos de trabalho e sobrecarregar os empresários. “Nosso entendimento é que essa medida é extremamente prejudicial. Imagine Alagoinhas sem o funcionamento do comércio aos sábados, justamente o dia de maior faturamento. A Central de Abastecimento reúne cerca de 3.500 pequenos empresários e recebe mais de 20 mil consumidores. Como ficaria essa dinâmica?”, questionou.
Ele também destacou possíveis reflexos para trabalhadores com remuneração variável. “Profissionais de shopping centers, por exemplo, podem ter queda de até 20% nas vendas. Quem arcará com essa perda?”, indagou.
Durante sua fala na tribuna, Benedito apresentou dados para sustentar sua análise. De acordo com ele, cerca de 72% dos empresários brasileiros possuem menos de cinco funcionários, o que dificultaria a adaptação ao novo modelo. “Como esses pequenos empreendedores farão essa transição sem ampliar o quadro de pessoal? É inviável. Nosso objetivo é preservar os empregos que garantem dignidade à população”, disse.
Outro ponto levantado foi o avanço da terceirização. Segundo o dirigente, nos últimos seis meses houve crescimento significativo na abertura de empresas desse tipo, tendência que pode se intensificar. “Se os funcionários registrados não puderem trabalhar aos sábados, a alternativa será terceirizar. No entanto, essa conta recairá sobre o próprio trabalhador, que também é consumidor. Se a folha aumentar 20%, isso será repassado ao preço final”, explicou.
Benedito reconheceu a importância de garantir mais tempo de convivência familiar ao trabalhador, mas ponderou sobre possíveis impactos no lazer e no consumo. “Onde esse trabalhador vai comprar se o comércio estiver fechado? E categorias específicas, como caminhoneiros, que passam mais de 15 dias em viagem? Eles ficarão parados no meio da estrada? Cada atividade tem suas particularidades, e a legislação não pode ignorar isso”, argumentou.
Ele também ressaltou que, caso a proposta avance, caberá aos sindicatos patronais e laborais protagonizar as negociações para adequação à nova realidade.
Ao final, Vieira reforçou que a mudança pode gerar aumento de custos entre 10% e 20% para os empresários, o que tende a dificultar as negociações coletivas. “Estamos dispostos a contribuir com o debate, mas é preciso realismo. Não se pode acreditar que a simples redução de quatro horas resolverá todos os problemas dos trabalhadores. É fundamental garantir liberdade de escolha, permitindo que cada um decida se deseja ou não aderir a esse modelo”, concluiu.
