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Dores emocionais, trabalhos exaustivos, rotinas puxadas: casa, família e marido. Batalhas muitas vezes invisíveis aos olhos da sociedade. Tudo isso faz parte do dia a dia da mulher, que enfrenta essa situações em silencio, que muitas vezes gera ansiedade, exaustão e sofrimento emocional.
A Saúde Mental feminina envolve uma série da fatores emocionais, sociais, hormonais e culturais. Por isso, o portal Pereira News convidou a Psicóloga Regina Alves para falar sobre Saúde em Mulheres.
No contexto atual, quais são os maiores desafios emocionais que as mulheres enfrentam hoje?
Muitas mulheres, ainda hoje e mesmo com alguns avanços, vivem tentando equilibrar vários papéis ao mesmo tempo: trabalho, família, relacionamentos, autocuidado… e existe uma expectativa social muito forte de que elas deem conta de tudo. Isso acaba gerando muita sobrecarga emocional, culpa e uma sensação constante de que nunca é suficiente. Muitas mulheres acabam se afastando de si mesmas para atender às expectativas externas.
Muitas mulheres vivem sobrecarregadas entre trabalho, família e vida pessoal. Quais sinais indicam que essa sobrecarga já está afetando a saúde mental?
É importante destacar que cada pessoa pode apresentar sinais e sintomas diferentes. Contudo, alguns sinais dessa sobrecarga podem ser de cansaço constante, irritação mais frequente, dificuldade para descansar, sensação de estar sempre correndo contra o tempo. Também é comum aparecer ansiedade, dificuldade de concentração e aquela sensação de estar vivendo no automático, sem conseguir se escutar de verdade.
Existe ainda uma pressão social para que a mulher “dê conta de tudo”. Como isso impacta a autoestima feminina?
É importante também compreender que essa sobrecarga é retroalimentada por uma estrutura sociocultural e histórica que é racista, sexista, que leva a mulher a acreditar que precisa ser perfeita em todos os papéis sociais. Quando essa mulher se depara com qualquer dificuldade pode ser interpretada por ela como fracasso pessoal. Isso pode afetar sua autoestima e autoconfiança. Muitas começam a se sentir insuficientes, mesmo fazendo muito. Essa pressão constante pode gerar um distanciamento daquilo que a mulher realmente sente e precisa.
Na sua prática clínica, quais são as dores emocionais mais comuns relatadas pelas mulheres?
Atuei durante alguns anos na rede pública de cuidados e proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. Lá, escutei muitas mulheres falando sobre sentimentos de insuficiência, insegurança e baixa autoestima. Fora desse atendimento especializado também não é muito diferente, mulheres tem apresentado processos de adoecimento emocional, sentimento de sobrecarga, estresse e ansiedade.
Muitas mulheres têm dificuldade de dizer “não”. Por que isso acontece e como desenvolver limites saudáveis?
Muitas mulheres cresceram ouvindo que precisam ser compreensivas, disponíveis e evitar conflitos. Então dizer “não” pode gerar sentimento de culpa ou medo de desagradar. Desenvolver limites saudáveis começa quando a mulher reconhece que as necessidades dela também são importantes. É um processo de se reconectar consigo mesma e aprender a se posicionar com mais segurança.
A violência psicológica ainda é pouco reconhecida. Como uma mulher pode identificar que está vivendo esse tipo de abuso?
A violência psicológica tem sido mais difundida, a partir das diversas campanhas de enfrentamento a violência contra a mulher, mas ainda não é suficiente. Esse tipo de violência começa muitas vezes de forma sutil: críticas constantes, desvalorização, manipulação, controle ou situações em que a mulher começa a duvidar de si mesma. Um sinal importante é quando, dentro da relação, ela passa a se sentir inferior, culpada ou insegura com frequência. Se esse sinal de alerta acendeu, procure ajuda, ligue 180.
Qual o papel da terapia no processo de reconstrução da autoestima feminina?
A terapia oferece um espaço seguro de escuta e acolhimento. Muitas mulheres, pela primeira vez, encontram na terapia um lugar onde podem falar sem julgamento. Esse processo ajuda a mulher a se reconectar com seus sentimentos, reconhecer seu valor e fortalecer sua confiança em si mesma.
O que muda emocionalmente quando uma mulher começa a se priorizar?
Quando a mulher começa a se priorizar, ela passa a se escutar e se respeitar mais. Começa a perceber seus limites, seus desejos e suas necessidades. Isso traz mais clareza nas relações e uma sensação maior de autonomia emocional.
Como as mulheres podem cuidar da saúde mental no dia a dia, mesmo com uma rotina cheia?
Nem sempre é possível fazer grandes mudanças, mas pequenos momentos de pausa já ajudam muito. Se perguntar “como eu estou hoje?”, respeitar seus limites, permitir momentos de descanso, praticar uma atividade física e buscar apoio especializado sempre que necessário são formas importantes de cuidado com a saúde mental.
Que mensagem você deixaria para mulheres que estão passando por um momento difícil, mas ainda não tiveram coragem de procurar ajuda?
Nenhuma mulher precisa atravessar seus momentos difíceis sozinha. Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, é um gesto de cuidado e respeito consigo mesma. Às vezes, ter um espaço de escuta já faz muita diferença para entender o que está acontecendo e encontrar novos caminhos.
Se você pudesse deixar uma mensagem para todas as mulheres neste Dia Internacional da Mulher, qual seria?
Que cada mulher possa reconhecer suas vitórias,
lembrar que sua história, seus sentimentos e sua voz têm valor.
Que elas busquem ajuda especializada sempre que necessário e lembrem que em caso de violência doméstica liguem o 180 para acolhimento e orientação. Você não está sozinha!
Falar sobre Saúde Mental feminina é também falar sobre reconhecimento , respeito e acolhimento. A Saúde Mental da mulher ainda carrega muitos desafios silenciosos, e precisamos discutir o tema, ouvir cada mulher e respeitar cada história individual.
E Você, já parou para refletir sobre o peso invisível que muitas mulheres carregam na rotina ?
Deixe sua reflexão ou experiencia nos comentários e vamos continuar esse diàlogo.
