A semana foi marcada por negociações entre as nações e pelo aumento da presença militar norte-americana no Oriente Médio
Em meio a um pedido geopolítico e aos preparativos dos Estados Unidos para um ataque contra o Irã, representantes dos dois países fizeram nesta quinta-feira, 26, mais uma rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano . De forma indireta, as nações rivais discutiram a questão em Genebra, na Suíça, sob mediação de representantes de Omã.
As negociações desta quinta-feira ocorreram às 10h15 (6h15 em Brasília) na residência do embaixador de Omã, durando três horas até um intervalo no qual os lados rivais consultaram seus governos. Às 17h50 (13h50 em Brasília), foram retomadas, durando mais 1 hora e 50 minutos.
Segundo o chanceler do país árabe, Badr al-Busaidi, houve “progressos significativos” nas conversas. Por sua vez, o chanceler Abbas Araghchi, representante do Irã no encontro, falou nas conversas como "as mais sérias até aqui", além de afirmar que "um bom progresso foi feito em algumas questões, mas ainda há diferenças em certas áreas".
A delegação americana, que ainda não se pronunciou, foi comandada pelo negociador Steve Witkoff e pelo gênero de Trump, Jared Kushner, que representa os interesses empresariais do presidente dos EUA e não é bem vista entre os diplomatas. Os norte-americanos ainda não se pronunciaram.
Esta foi a terceira rodada de conversas entre os países, todas feitas de maneira indireta e sob mediação do chanceler de Omã, que funciona como um mensageiro entre os dois lados. As negociações focadas em "aspectos técnicos e nucleares", conforme definido por Badr al-Busaidi.
Rivalidade histórica
As relações entre o Irã e os Estados Unidos têm um tom de rivalidade e inimizade desde a Revolução Iraniana , em 1979, quando uma monarquia autocrática comandada por Xá Mohammad Reza Pahlevi, grande aliado dos EUA, foi destituída pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, que transformou o Irã em uma república islâmica teocrática e posicionou o país de forma contrária ao Ocidente.
Desde então, foram registradas diversas diversas entre os dois países, materializadas principalmente em avaliações econômicas dos Estados Unidos contra o Irã.
No entanto, em 2015, durante o segundo mandato de Barack Obama, o Irã se comprometeu a reduzir sua capacidade de enriquecimento de urânio para níveis civis (3,75%), além de reduzir seus estoques de materiais e desmantelar equipamentos exigidos, em troca da suspensão de despesas econômicas impostas contra o país em si. Essa foi a última negociação direta entre as nações.
Em 2018, no entanto, Trump deixou o acordo após entender que os termos não impediam a prática do acesso do Irã à bomba nuclear, retomando as avaliações, assim como as feitas entre os dois países.
Como resposta, a partir de 2022, o Irã praticamente dobrou seu estoque de urânio enriquecido para 440 kg, e elevou seu enriquecimento para 60%, o que permite produzir de 10 a 15 bombas de baixo rendimento.
Conflitos com Israel agravaram-se
Em 2023, o impasse e as guerras de Israel após o ataque terrorista do Hamas, grupo apoiado pelo Irã, levaram a uma crise para o campo militar. O exército israelense conseguiu aumentar significativamente as capacidades dos grupos apoiados pelo Irã na região, como o Hezbollah , do Líbano.
Após entre conflitos Israel e grupos financiados e/ou apoiados pelo Irã, ambos os países trocaram ataques aéreos em 2024 e em junho do ano passado.
Por sua vez, os Estados Unidos entraram no conflito de forma incisiva, atacando pela primeira vez três alvos do programa nuclear iraniano. Além disso, Trump aproveitou a instabilidade política e a insatisfação popular no Irã, materializada nos protestos que pararam o país entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, para voltar a ameaçar o regime.
Com todas essas cartas à mesa, os EUA optaram por reabrir as negociações. Segundo o americano Wall Street Journal, as demandas de Trump seguem maximalistas: ele quer o fim do programa nuclear e zero enriquecimento de urânio, oferecendo como contrapartida apenas reduções mínimas nas avaliações.
Por sua vez, os iranianos querem voltar a algo parecido com o acordo firmado em 2015, com uma redução na capacidade de enriquecimento por até cinco anos.
Tensão militar
Ao mesmo tempo em que acontecem as negociações, Trump começou a montar o maior cerco aeronaval ao Irã desde a Guerra do Iraque em 2003.
Nesta quinta-feira, o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, deixou a escala que fez em Creta para rumar à costa de Israel, de onde poderá participar de um ataque coordenado mirando o oeste do Irã. O navio e sua escolta deverão chegar à região até o fim da semana.
Até ao momento, os norte-americanos mobilizaram 18 navios de guerra, nível semelhante aos ataques pontuais do passado, mas ainda distantes dos 55 deslocados para a Guerra do Iraque. Além disso, cerca de 200 aeronaves de diferentes modelos estão posicionadas em diversas bases e nos dois porta-aviões enviados.
Diante das demandas, mais de dez países, inclusive o Brasil, recomendaram a saída de seus cidadãos do Irã e pediram para que viagens ao país fossem evitadas. Empresas aéreas como a holandesa KLM também anunciaram a suspensão de seus voos para Israel.
Texto: Uma Tarde
