Camutanga passa por cirurgia após fratura; especialista explica lesão e recuperação

 

Foto: Victor Ferreira | EC Vitória


O zagueiro Camutanga passou por cirurgia nesta segunda-feira, 13, após fraturar um dos dedos do pé esquerdo na partida contra a Chapecoense, no dia 5 de abril. De acordo com Marcelo Côrtes, coordenador médico do clube, o jogador deve ficar fora de atuação por pelo menos seis meses.

Ainda segundo o médico, a fratura comprometeu uma articulação chamada Lisfranc. Em conversa com o portal A TARDE, o ortopedista Marcus Moreno, especialista em cirurgias de pé e tornozelo, explicou como funciona a articulação e detalhou a gravidade de lesões no local.

Entenda a lesão

Segundo ele, o pé é dividido em três regiões: retropé, mediopé e antepé, de modo que a Lisfranc é uma articulação localizada entre o mediopé e o antepé.

“Essa articulação é extremamente importante porque toda força que a gente faz pra andar, para correr e para qualquer atividade que retenha a carga sobre o pé passa pela Lisfranc. Se você tiver alguma lesão nessa articulação e ela não cicatrizar de maneira adequada ou não for tratada de maneira adequada, ela traz uma limitação muito grande para os pés.”, iniciou Moreno.

O especialista conta que o nome da lesão tem uma origem histórica: “Jacques Lisfranc era um general de Napoleão, e na época os soldados tinham algumas lesões nas guerras quando o pé ficava preso no estribo do cavalo. De tão graves e complicadas que as lesões eram, alguns pacientes precisavam ter os pés amputados.”

Ainda segundo ele, o comprometimento do Lisfranc pode acontecer de três formas:

fratura na região dos ossos da articulação de Lisfranc;

lesão isolada do ligamento de Lisfranc;

uma lesão complexa que envolve tanto fraturas dos ossos da articulação de Lisfranc, quanto a lesão do ligamento.

Marcus Moreno analisa que a lesão de Camutanga foi uma lesão complexa, o mais grave dos três cenários.

Lesão incomum no futebol

De acordo com o especialista, esse tipo de lesão não é tão comum no futebol por conta do “gesto desportivo”, tendo uma ocorrência muito maior em esportes como o futebol americano.

“É uma lesão extremamente comum no futebol americano porque o atleta faz um mecanismo específico, como se estivesse na ponta do pé e algum peso caísse sobre o seu calcanhar. Na literatura, a foto clássica da lesão de Lisfranc é uma pessoa na ponta do pé e com algum peso caindo em seu calcanhar”, explicou o médico.

“Estudos biomecânicos fizeram com que a NFL – liga de futebol americano dos Estados Unidos – trocasse os tipos de sapato dos jogadores para sapatos mais estáveis e com menos flexibilidade. A lesão é tão limitante que já encerrou a carreira de alguns jogadores.”, complementou.

Em relação ao processo de recuperação em lesões no Lisfranc, o especialista confirmou a previsão de seis meses divulgada pelo clube.

“Independente da complexidade da lesão, o período inicial de cicatrização leva de 2 a 3 meses. Depois tem todo um período de recuperação efetiva para fisioterapia, liberação do departamento médico para o departamento físico e ajuste de treino. Dificilmente é possível voltar em alta performance com menos tempo do que isso.”, disse Moreno.

Além disso, ele detalhou como geralmente é conduzido o processo de recuperação da lesão:

“Tem uma fase inicial que o cuidado principal é a ferida cirúrgica, a cicatrização de partes moles. Na segunda semana, com todo o cuidado com a ferida, já começa algum grau de movimentação, já que o mais importante é que não se perca massa muscular, nem mobilidade articular.”

“No primeiro momento, existe uma necessidade de deixar o paciente sem carga, ou seja, com a proteção normalmente de uma bota ortopédica e sem pisar no chão, processo que dura em torno de 45 dias. Nesse período, o paciente faz toda a reabilitação física e articular.”

“Na sequência, a carga vai sendo liberada de maneira progressiva, com a retirada da bota. O atleta normalmente faz treinamentos progressivos com calçados, com o suporte de palmilhas especiais para diminuir o estresse sobre a articulação operada, e vai retomando a força para o treinamento do gesto esportivo.”


Texto: A Tarde 

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