RECORDAÇÕES DE BUENOS AIRES - Por Geraldo Almeida

Confira o artigo do novo colunista do Portal Pereira News

Foto: Divulgação

A recente viagem que fiz à Argentina tem tudo a ver com a campanha eleitoral de 2012 para prefeito de Alagoinhas. Naquele ano, o então deputado federal Luiz Argolo tinha grande proeminência política no município, fruto de sua figura carismática e da significativa contribuição que deu ao primeiro mandato do prefeito Paulo César e a parte do segundo, destinando um expressivo volume de emendas parlamentares, somando dezenas de milhões de reais, além de intermediar contatos do gestor municipal com o Congresso Nacional nas primeiras tratativas para a obtenção de autorização para um grande financiamento no banco internacional CAF - Corporação Andina de Fomento.

Periodicamente, Luiz me sondava sobre o meu interesse em entrar para a política partidária, ao que eu gentilmente recusava, alegando que não gostaria, enquanto gerente regional da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), de misturar minhas ações diretivas em um órgão estatal com compromissos partidários. Sei que hoje isso soa estranho, mas era o meu jeito de pensar na época. Em 2012, completei mais de vinte anos em cargos gerenciais na administração pública, quando então me afastei e retornei à planície, pois havia conseguido a sonhada incorporação da gratificação do cargo ao salário. Sabendo disso, Luiz Argolo fez-me uma visita, munido de uma ficha de filiação partidária, dizendo que não havia mais o impedimento imposto pela minha consciência. Seu argumento de que eu era um cidadão muito bem conceituado em Alagoinhas e região, e que contribuiria muito para o enriquecimento do quadro de filiados do seu partido, foi suficiente para que eu concordasse em aderir ao mundo da política partidária.

Devem estar os leitores se perguntando, a essa altura dos acontecimentos, o que tem a ver o título deste artigo com o recorte temporal descrito nos parágrafos acima. Alguns dias após minha adesão ao partido, ocorreu um fato inusitado e surpreendente: no mês de julho daquele ano, fiz uma viagem com a família a Buenos Aires e, no segundo dia na capital argentina, recebi um telefonema de Alagoinhas pedindo que eu retornasse com urgência, porque as negociações do deputado com o prefeito para a composição da chapa que disputaria a reeleição culminaram na aceitação do meu nome como candidato a vice. Fui pego de surpresa porque eu nunca havia pleiteado o cargo e, em nenhum momento, o meu nome fora citado como provável candidato. Às pressas, fiz as malas e embarquei de volta para providenciar a documentação a ser entregue ao TRE, dias antes da realização da convenção partidária. O restante da família continuou o passeio turístico e eu fiquei como aquela pessoa de quem se tirou um delicioso prato no início da degustação.

Mas o “sacrifício” foi plenamente compensado, porque fizemos uma campanha eleitoral espetacular, com a dupla Paulo César-Geraldo Almeida obtendo uma vitória arrasadora, fruto do excelente primeiro mandato do prefeito, que foi um ponto de inflexão positivo na história das gestões do município.

Na semana passada, retornamos à capital portenha, onde permanecemos por quatro dias, desta vez podendo usufruir plenamente da beleza e dos pontos turísticos daquela imensa metrópole. As impressões sobre a viagem ficarão para uma próxima crônica, cujo título poderá ser “Recordações de Buenos Aires II”.

Geraldo Almeida Souza

Nota: O autor é engenheiro agrônomo aposentado, com vasta experiência na gestão de órgãos públicos ligados à agricultura. Também foi vice-prefeito e secretário da Agricultura de Alagoinhas, presidente do Fórum Alagoinhense para o Desenvolvimento Sustentável e secretário executivo da Câmara Setorial da Citricultura Baiana.

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